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sexta-feira, fevereiro 03, 2006 

Maioria dos habitantes de Oiã é contra a relação

Por Paula Rocha

A dona Maria vive na mesma rua que Teresa e Helena, em Oiã, no concelho de Oliveira do Bairro. Há mais de um ano que se lembra de as ver passar na rua com a filha. "Vão sempre as duas atrás e a miúda à frente", conta. Esta vizinha das duas mulheres só há "três ou quatro meses" é que soube "que elas eram namoradas". "Nunca tiveram qualquer tipo de comportamento que revelasse isso. Até pensava que eram cunhadas ou irmãs", acrescenta.

Apesar de não as condenar pela relação que mantêm, a dona Maria reconhece que não aprova, sobretudo "por causa da menina". "Um dia mais tarde ela ainda vai sofrer por causa disto". Contudo, diz não ter "qualquer problema" em ser vizinha de Teresa e Helena, uma vez que "são pessoas de bem que nunca arranjaram qualquer tipo de problema e até passam despercebidas lá na rua".

Também o senhor Maia diz não aprovar a relação das duas mulheres. "Desde que não façam mal a ninguém, não me importo que vivam cá na terra. Acho que ainda não tenho capacidade para aceitar estas coisas que, na minha opinião, não têm ponta por onde se lhes pegue", afirma.

Das pessoas com quem o JN falou, em Oiã, apenas os mais novos aceitam com certa naturalidade o facto de terem um casal de lésbicas a viver na mesma localidade. "A mim não me incomoda nada e se elas querem casar, que casem. Cada vez há mais pessoas do mesmo sexo a namorarem, a gostarem uns dos outros. Temos de respeitar como também pedimos para ser respeitados", sublinha Sofia Coelho.

Durante a tarde de ontem eram poucos os habitantes que já sabiam que o pedido de casamento tinha sido recusado. Muitos dizem preferir não se meter "na história" porque "a vida é delas e elas é que sabem o qulha".

Mas quando tomaram conhecimento, e sendo coerentes com as suas opiniões, a maioria aplaudiu a decisão. "Ainda bem que não aceitaram. Não percebo qual é a necessidade que têm em ter um papel assinado a reconhecer a relação delas. Já vivem juntas, isso devia ser suficiente. Há tantos casais, homem e mulher, que vivem em união de facto. Por que é que elas não hão-de viver também?", questiona o senhor Maia.

Jornal de Notícias

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