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terça-feira, dezembro 06, 2005 

Roger e Percy vão finalmente deixar de ser solteiros

No Reino Unido fizeram-se ontem as primeiras marcações para os "casamentos" gay. Roger Lockyer e Percy Steven começaram cedo um dia cheio de emoções. O registo legal da sua união é o melhor presente ao fim de 40 anos de vida em comum. Agora haverá pequeno-almoço com champanhe e um jantar com amigos.

Por Susana Moreira Marques, Londres

Para ser casamento só falta mesmo a palavra "casamento". As uniões de casais homossexuais já podem ser registadas legalmente no Reino Unido, concedendo aos parceiros exactamente os mesmos direitos e responsabilidades que um casamento concede a um casal heterossexual.

Como num casamento, muitos pares homossexuais ingleses planeiam copos-de-água. Empresas de "casamentos cor-de-rosa" oferecem serviços. Não é caso para menos: a nova lei de união civil para casais do mesmo sexo, em vigor desde ontem no Reino Unido, vai mudar a vida de milhares de pessoas nos próximos anos: entre 11 mil e 22 mil casais até 2010, espera o Governo, irão ser reconhecidos legal e publicamente.

Ontem, o ambiente no edifício do Registo Civil de Westminster, no centro de Londres, era, apesar de tudo, bastante calmo, com os serviços a funcionar discretamente. Incluindo na sua administração o Soho, a zona mais gay de Londres, Westminster contabilizava já 140 marcações provisórias, o segundo número mais elevado, logo a seguir à cidade considerada a capital gay de Inglaterra: Brighton, com 510.

Roger Lockyer e Percy Steven começaram cedo um dia cheio de emoções. A declaração de intenção de registar a sua união civil estava marcada para as 8h00 da manhã, permitindo-lhes entrar para a história como um dos primeiros casais homossexuais do Reino Unido a oficializar a sua relação. Passados os 15 dias de intervalo necessários por lei, Roger e Percy vão "casar-se" à primeira hora possível do primeiro dia possível: 8h00 da manhã de dia 21 de Dezembro.

Steven e Lockyer parecem um pouco cansados do vaivém de câmaras e gravadores, mas recebem as visitas com um sorriso nos lábios. Ao contrário da maioria dos casais, que preferiram fazer a inscrição para o "casamento" sem a interferência da comunicação social, estes "noivos" fazem questão de se mostrar. "Estamos muito orgulhosos e queremos a maior publicidade possível", ri-se Roger Lockyer.

Os quase "recém-casados" instalam-se nos sofás da sala suavemente iluminada. Livros enchem as paredes e combinam com um mobiliário clássico. Esta casa, cheia de sinais de toda uma vida em comum, é uma das razões para darem o "grande passo". Como a maior parte dos casais que ontem declararam, em Westminster, a intenção de registar a sua união, Lockyer e Steven já não são jovens.

Roger Lockyer, historiador, personifica o gentleman perfeito, nos seus elegantes 78 anos: "Eu devo morrer primeiro e não queria que o Percy tivesse que pagar taxas pela minha metade da casa. Provavelmente, ele teria que vender e perder a casa onde temos vivido todos estes anos."

Percy faz um gesto de assentimento com a cabeça, satisfeito. A única sombra - as preocupações financeiras e legais da sua relação - terá suavemente desaparecido no dia 21 de Dezembro. Serão naturalmente os herdeiros um do outro e, talvez mais importante ainda, os parentes mais próximos um do outro. Lockyer lembra um episódio recente: "No ano passado tive que ir para o hospital, Percy disse que era o meu companheiro e deixaram-no entrar sem problemas. Isto pode acontecer em muitos hospitais, mas não em todos. Agora não terão o direito de afastá-lo. Em vez de termos que confiar na boa vontade das outras pessoas, poderemos exigir o nosso direito legal."

Lua-de-mel em Paris

Quando se conheceram, conta Percy Steven, encenador de teatro, 66 anos, a homossexualidade era considerada um crime e nunca imaginaram viver o suficiente para ver a sua união reconhecida. "Uma pessoa é autorizada a morrer pelo seu país", começa Percy Steven. Roger completa: "Mas não é autorizada a viver com a pessoa que ama."

Assinar o papel e deixar de ser "solteiro" pode não alterar nada, por dentro, numa relação em que a frase "e viveram felizes para sempre" já faz parte do passado, mas altera por fora. "Nunca escondemos que somos um casal gay, mas é bom saber que vamos ter o direito legal de o ser e de agir como tal - portanto, se alguém nos disser "desculpe, mas não são casados", podemos dizer "somos sim, temos uma união civil".

Roger e Percy não preparam festa para dia 21. Um pequeno-almoço com champanhe, um jantar com amigos e, em Janeiro, uma segunda lua-de-mel em Paris. A grande festa é em Fevereiro, no aniversário de vida em comum. "O bolo é os 40 anos. O registo é a cereja no topo do bolo."

Público

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