« Home | Orgulho homossexual no Porto continua entre quatro... » | Llamazares na marcha Gay » | A melhor estratégia » | Dezenas de milhares participaram na marcha do "Org... » | Rainhas à sombra de almodóvar » | Homossexuais já podem casar » | Congresso espanhol aprova casamentos gay » | Casamentos 'gay' aprovados em Espanha » | Parlamento espanhol aprova casamento homossexual » | Espanha não casa gays portugueses » 

segunda-feira, julho 04, 2005 

Sá da Bandeira transformado em palco pela igualdade na Porto Pride 2005

Festa da comunidade LGBT fez do teatro Sá da Bandeira um palco de festa e de luta pelo direito à liberdade e igualdade sexual

Por Mariana Teixeira Santos

O início estava marcado para as 22h30 mas, por volta da meia noite o ambiente ainda estava morno na Porto Pride 2005, que decorreu no teatro Sá da Bandeira na madrugada de sábado. A festa da comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) que, ao mesmo tempo que procurou reivindicar direitos iguais para todos, pretendeu também marcar a diferença através da acção beneficiente a favor do hospital Joaquim Urbano.

As primeiras pessoas começavam a chegar para uma noite que prometia animação até às 8h da manhã. Era toda uma noite pela frente que , lentamente, se ia desenhando. Por entre a calma do início de uma festa que se esperava animada João Paulo, da Portugal Gay e organizador do evento, fala de uma celebração em que "a parte solidária faz toda a diferença". A acção beneficiente que realiza em prol do hospital Joaquim Urbano acaba por marcar a iniciativa que, durante as quatro edições já realizadas, doou à Liga dos Amigos do Hospital Joaquim Urbano mais de 10 mil euros.

À medida que a madrugada se ia anunciando e o espaço se ia compondo, notava-se a presença de alguns casais heterossexuais, algo que João Paulo refere que se tem vindo a vulgarizar desde que a iniciativa teve a sua primeira edição. Em 2001, pela primeira vez a bordo de um barco no Douro, agora , com os pés bem assentes na terra, a Porto Pride marca a vivência da comunidade LGBT na Invicta. Ainda na semana passada alguém gritava em Lisboa, na marcha do Orgulho Gay: "Para a semana é no Porto".

Mas, no Porto, a celebração encerra-se entre quatro paredes. Cá fora, pela rua despida sobressaíam as luzes à entrada do teatro, mas festa só lá dentro. João Paulo, apesar de afirmar que é "um péssimo exemplo pela positiva" porque nunca se considerou alvo de descriminação no Porto, não deixa de acreditar que "vivemos numa sociedade hipócrita".

Passar do refúgio das quatro paredes para a rua é algo que terá de esperar. Para muitos LGBT "dar ou não a cara é uma questão de sobrevivência. A maioria dos LGBT se perdem o emprego perdem o sustento". No entanto, João Paulo não hesita em dizer que "o Porto está hoje mais aberto".

Por entre os casos de homofobia com que, de vez em quando, o país nos presenteia, "o Porto e Portugal lidam hoje com mais naturalidade com a questão da homossexualidade", comenta João Paulo. E, um dia depois da aprovação do casamento entre homossexuais e da adopção na vizinha Espanha, ao mesmo tempo que João Paulo confessa que "hoje queria lá estar para festejar", acredita que "o mesmo poderá acontecer em Portugal ainda nesta legislatura".

Enquanto a música vai subindo de tom e já se anuncia o primeiro espectáculo da noite, pelo espaço do teatro Sá da Bandeira e pelos corredores a movimentação torna-se mais insistente. Lado a lado com a festa, sobressai a propaganda política. Pelas bancas do Partido Humanista, da S.O.S Racismo, da associação Não Te Prives, do Grupo de Reflexão e de Intervenção do Porto (GRIP) e da Rede Ex - Aequo amontoam-se chamadas de atenção para o direito à liberdade sexual por entre bolo de chocolate e preservativos.

Associações como a Não Te Prives, o GRIP e a Rede Ex-Aequo têm uma componete essencialmente juvenil porque "é complicado para um jovem lidar com a sua própria homossexualidade", conta Cristina Nunes da rede Ex-Aequo. No fundo, a homossexualidade passa por uma descoberta porque "é algo que está cá dentro e que não passa por uma opção, é uma orientação", explica João Paulo da Portugal Gay.

E as horas foram passando por um espaço por onde circularam perto de duas mil pessoas. Uma madrugada que levou ao palco do Sá da Bandeira, entre muitas outras actuações, Diana Prince e uma plateia incendiada pela vivacidade do flamenco.

Publicado no O Comércio do Porto.

Objectivo

  • O objectivo deste blog é recolher toda a informação relativa ao casamento entre pessoas do mesmo sexo que vá sendo publicada nos principais meios de comunicação portugueses. E a informação publicada no estrangeiro sobre Portugal. Além de textos informativos também serão recolhidos textos de opinião positiva ao casamento homossexual. Este blog não tem qualquer finalidade comercial, no entanto se alguma entidade se sentir lesada ou não permitir a utilização de algum conteúdo constante neste sítio comunique-nos, por favor, através do nosso e-mail, que também deve ser usado para nos enviar qualquer sugestão, dúvida ou comentário. Obrigado.
Powered by Blogger
and Blogger Templates