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domingo, junho 26, 2005 

Orgulho homossexual marcha por reivindicações políticas

Gays e lésbicas ainda não têm acesso a muitos direitos associados ao casamento civil. Em protesto, centenas de pessoas marcharam, ontem, pela capital.

Por Paula Torres de Carvalho

O direito ao casamento civil de gays e de lésbicas foi a reivindicação que juntou, ontem, centenas de pessoas numa marcha que desceu a Avenida da Liberdade, em Lisboa. Esta iniciativa marcou a comemoração do "Dia de Orgulho Gay" em Portugal que também se celebrou em vários outros países da Europa.

O tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo "é, sobretudo, um tema político, tem de ser enfrentado como tal e o Estado tem de combater a discriminação existente a este nível da mesma forma que combate outras discriminações, o que não faz", considera Sérgio Vitorino, do movimento "Panteras Rosa".

Um manifesto lido pouco antes da manifestação descer a avenida, resumia as principais ideias que uniam as pessoas na concentração. Já que Portugal é, hoje, "o único país da Europa cuja constituição proíbe explicitamente a discriminação com base na orientação sexual" há que assegurar o cumprimento do garantia da igualdade de direitos e deveres. "Queremos a revisão do código civil para que passe a permitir o igual acesso de casais de gays ou de lésbicas ao casamento civil", refere o manifesto, notando existirem "muitos direitos associados ao casamento civil aos quais gays e lésbicas não têm acesso" e que vão "do registo às heranças, passando pelos regimes de propriedade até aos inúmeros aspectos da vida quotidiana."

Na marcha do movimento LGBT (Lésbico, Gay, Bissexual e Transgénero) participaram várias associações de homossexuais e representantes de alguns partidos políticos, como membros do Bloco de Esquerda (BE) de os "Verdes", do Partido Humanista e da Juventude Socialista (JS). "Enquanto cidadãos e representantes de forças políticas defendemos o princípio constitucional que proíbe a discriminação", diz Pedro Vaz, militante da JS, salientando: "A JS está ao lado do direito das minorias, sejam elas quais forem."

Este ano, a marcha contou com o apoio de duas figuras públicas: o professor universitário Rui Zink e a escritora Inês Pedrosa. Atrás deles esvoaçam bandeiras de muitas cores, um casal de duas raparigas com um bebé, muitos jovens, gente vulgar de meia idade, homens vestidos de mulheres com cabeleiras, meias de rede, sapatos de salto alto, colares e penachos de cores berrantes.

Cláudio, de 42 anos, natural de Lisboa, foi lá porque é uma causa que defende: "Porque um indivíduo tem direito à sua afirmação sexual." Ao lado, há polícias aprumados que caminham muito sérios, outros divertidos, alguns embasbacados. Nos passeios, muitos curiosos a ver a marcha passar. De boné, mãos atrás das costas, cabelo todo branco, um homem abana a cabeça. "Sou beirão, nunca tinha visto nada assim", diz. "Isto não devia ser permitido, deviam era ir todos cultivar o Alentejo. Então, isto admite-se? Não se admite...", aponta para um travesti , meio despido, cabelo negro pelas costas."Se não quer ver, vá-se embora", responde um dos organizadores da marcha que ia a passar. "Mas a conversa é consigo?" insurge-se o beirão.

Para analisar reacções como esta, o grupo "Panteras Rosa" vai organizar uma acção, no próximo dia 28 na baixa lisboeta onde dois casais de homossexuais irão exibir publicamente manifestações de carinho. Esta iniciativa será como um "termómetro da homofobia na capital", explica Sérgio Vitorino, adiantando que é preciso "visualizar o problema para o desmontar."

Publicado no Público.

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