quinta-feira, junho 30, 2005 

Duas pessoas feridas em desfile anual de homossexuais em Jerusalém

Um homem e uma mulher foram hoje apunhalados por um judeu ultra-ortodoxo quando participavam no desfile anual de homossexuais "Orgulho Gay", em Jerusalém, informou a rádio pública israelita.

O agressor, que atacou os dois manifestantes com uma faca, foi detido de imediato pelas autoridades. As vítimas apresentam ferimentos ligeiros e foram transportados para o hospital de Jerusalém, referiu a emissora.

A Câmara Municipal de Jerusalém, governada desde Junho de 2004 por um judeu ultra-ortodoxo, Uri Lupoliansky, proibiu este desfile, mas os representantes dos homossexuais dos dois sexos recorreram desta decisão junto do tribunal do distrito de Jerusalém.

Este último desautorizou a posição da autarquia, por considerar que esta "não tinha o direito de discriminar uma parte da população devido às suas orientações sexuais".

Após a decisão do tribunal, o ministro do Interior trabalhista, Ophir Pines, ordenou de imediato ao município que permitisse este quarto desfile em Jerusalém Oriental na data prevista, sob protecção policial.

Apesar da hostilidade que os gays e as lésbicas (em menor número) suscitam nos círculos religiosos em Israel, a homossexualidade foi legalizada em 1988 e os direitos dos casais "gays" são cada vez mais reconhecidos pelos tribunais.

Em Espanha, o Parlamento aprovou hoje a lei que permite aos homossexuais casarem e beneficiarem de todos os direitos associados, desafiando a forte oposição da Igreja Católica e completando a emblemática reforma social do Governo socialista.

Com a votação de hoje, a Espanha torna-se no terceiro país europeu e quarto no mundo a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, depois da Holanda, Bélgica e Canadá.

Notícia RTP.

 

Espanha aprova casamentos homossexuais

» O país vizinho é o quarto no mundo a legalizar casamentos entre pessoas do mesmo sexo

O Parlamento espanhol aprovou hoje a lei que permite aos homossexuais casarem e beneficiarem de todos os direitos associados, desafiando a forte oposição da Igreja Católica e completando a emblemática reforma social do Governo socialista.

Com a votação de hoje, em que 187 deputados foram a favor da lei e 147 contra, a Espanha torna-se no terceiro país europeu e quarto no mundo a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, depois da Holanda, Bélgica e Canadá.

Na tribuna reservada aos visitantes, dezenas de defensores dos direitos dos homossexuais levantaram-se para aplaudir, enquanto no exterior, centenas de pessoas saltavam, gritavam ou choravam de alegria com a aprovação da lei.

"Agora, só falta decidirmos qual de nós vai fazer o pedido", disse José Paz, um desenhador gráfico de 38 anos que acompanhou a histórica votação no exterior do Parlamento.

Além do direito a contrair matrimónio, a lei hoje aprovada concede aos homossexuais todos os direitos que decorrem desse acto, entre os quais o de adoptar crianças, receber pensões, administrar heranças, requerer empréstimos ou autorizar intervenções cirúrgicas.

Frontalmente contra estão a Igreja Católica e várias associações defensoras da família tradicional, que consideram esta lei um atentado contra a instituição do matrimónio e hoje reiteraram a intenção de pedirem ao Partido Popular (PP), que votou contra esta lei, que apresente um recurso por inconstitucionalidade.

Com o apoio do Vaticano, a hierarquia católica espanhola qualificou mesmo esta lei de "um retrocesso no caminho da civilização" e pediu aos funcionários das câmaras municipais e registos civis que invoquem objecção de consciência para não celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

O Foro da Família, associação que há dez dias organizou em Madrid uma manifestação de dezenas de milhares de pessoas contra a lei, anunciou por seu lado que vai prosseguir com a mobilização da sociedade, para o que diz já ter reunido um milhão de assinaturas, e lutar pela realização de um referendo sobre a questão.

Segundo a sondagem mais recente do Centro de Investigações Sociológicas, mais de metade (56,9 por cento) dos espanhóis aprova os casamentos homossexuais mas, em relação à adopção de crianças por estes casais, a percentagem dos que aprovam desce para 42,4 por cento.

O primeiro-ministro espanhol, José Luís Rodríguez Zapatero, que com a aprovação desta lei viu concretizar-se uma das suas promessas eleitorais, disse perante os deputados que ela é "mais um passo no caminho da liberdade e da tolerância" que permitirá construir "um país mais decente, porque uma sociedade decente é aquela que não humilha os seus membros".

Com esta lei, Zapatero encerra um ciclo de reformas sociais que começou com a simbólica lei contra a violência doméstica, para lutar contra o que o primeiro-ministro classificou como "a pior vergonha" de Espanha, país que regista um dos níveis mais elevados da Europa de casos deste tipo.

Publicado no Jornal de Notícias.

 

Espanha legaliza casamento entre pessoas do mesmo sexo

O casamento homossexual e a adopção de crianças por estes casais será legal em Espanha. Lei entra em vigor dentro de duas semanas.

Os deputados espanhóis aprovaram hoje a lei que legaliza os casamentos entre pessoas do mesmo sexo e que dá aos casais homossexuais o direito à adopção de crianças.

Espanha torna-se assim no terceiro país do mundo a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, depois da Holanda e da Bélgica. O Canadá deu ontem um passo no sentido da legalização dos matrimónios homossexuais, mas o projecto de lei tem ainda de passar pelo Senado para que a lei entre em vigor, o que se prevê que possa acontecer até ao final de Julho.

O Congresso espanhol (Câmara Baixa do Parlamento) aprovou a lei apresentada pelo Partido Socialista (no poder), com 187 votos a favor, 147 contra e quatro abstenções.

Os primeiros casamentos entre pessoas do mesmo sexo podem começar a ser efectuados depois de a lei ser publicada no diário oficial do Estado espanhol, o que deverá acontecer dentro de 15 dias.

Publicado no Público.

 

Recolhidas 600.000 assinaturas contra casamento entre homossexuais

O Fórum Espanhol da Família (FEF) anunciou hoje ter recolhido 600.000 assinaturas contra o casamento homossexual em Espanha, na véspera de o projecto-lei que o permite voltar ao Parlamento, que o deverá aprovar definitivamente.

Outros grupos que se opõem à legalização do casamento homossexual tinham já recolhido meio milhão de assinaturas contra este projecto de lei, aprovado em Abril pelos deputados e que deverá ser definitivamente aprovado quinta-feira, depois de voltar pela última vez ao Congresso espanhol.

A Espanha, onde vivem quatro milhões de homossexuais, segundo associações, torna-se o terceiro país na Europa a legalizar o casamento homossexual, depois da Holanda e da Bélgica. O Canadá reconhece igualmente desde terça-feira o casamento gay.

A medida, aprovada por uma maioria de espanhóis, mas severamente criticada pela Igreja católica, era uma promessa eleitoral do primeiro-ministro, José Luís Rodriguez Zapatero, e foi aprovada pelo executivo em Outubro de 2004, alguns meses depois da tomada de posse.

O projecto-lei reconhece todos os direitos aos homossexuais para receber pensões, administrar heranças, pedir empréstimos, autorizar intervenções cirúrgicas para o cônjuge e pedir a adopção de uma criança.

Para isso, são modificados 14 artigos do Código civil, onde os termos "homem e mulher" ou "pai e mãe" são substituídos por "cônjuges" ou "pais".

A vontade do Governo em concretizar esta reforma e fazê-la entrar em vigor este ano tem sido inabalável, apesar das "condenações" da Igreja católica e dos sectores mais conservadores da sociedade espanhola.

Notícia RTP.

quarta-feira, junho 29, 2005 

Casamentos homossexuais voltam ao Congresso

O projecto-lei que permite o casamento e a adopção de crianças a casais homossexuais volta, amanhã, ao Congresso espanhol, que deverá aprová-lo, permitindo a entrada em vigor ainda este ano, apesar da rejeição do Senado. A reforma, aprovada por uma maioria de espanhóis mas severamente criticada pela Igreja Católica, reconhece todos os direitos aos homossexuais, para receber pensões, administrar heranças, requerer empréstimos, autorizar intervenções cirúrgicas para o cônjuge e pedir a adopção de uma criança. Para isso, são modificados 14 artigos do Código Civil, onde os termos "homem e mulher" ou "pai e mãe" são substituídos por "cônjuges" ou "pais".

Publicado no Jornal de Notícias.

 

Canadá abre caminho à legalização de casamentos homossexuais

Aprovado projecto de lei. A união entre pessoas do mesmo sexo está a caminho da legalidade em mais um país.

A Câmara dos Comuns de Otava, no Canadá, aprovou hoje um projecto de lei que autoriza o casamento de casais homossexuais. A lei pode entrar em vigor no final de Julho transformado o Canadá no terceiro país do mundo a legalizar os matrimónios entre pessoas do mesmo sexo.

O projecto de lei divide há meses a sociedade canadiana, mas passou com maioria no parlamento com 158 votos a favor e 133 contra.

A legislação, da autoria do Partido Liberal, do primeiro-ministro Paul Martin, foi aprovada no parlamento e deverá também ser aprovada no Senado, o que fará com que entre em vigor até ao final de Julho.

No Canadá o casamento entre homossexuais é legal em sete províncias, mas o projecto de lei uniformiza a situação para todo o país e concede a estes casais os mesmos direitos de que já beneficiam os casais heterossexuais.

Um dos problemas levantados pelos opositores do projecto de lei é que no Canadá os padres têm o poder de celebrar matrimónios sem necessidade de recorrer ao Governo Civil para legalizar a união. Os sacerdotes que se oponham ao casamento homossexual naquele país temem ser alvo de acções judiciais se se recusarem a realizar um casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Mas os legisladores já esclareceram que o projecto de diploma abrange apenas uniões civis e que o clero não está obrigado por lei a celebrar cerimónias entre pessoas do mesmo sexo.

O casamento homossexual é legal a nível nacional na Holanda e na Bélgica. Espanha está a preparar a votação do seu projecto de lei para os casamentos homossexuais, da autoria do PSOE (no poder). No Canadá há cerca de 34 mil casais homossexuais, de acordo com estatísticas do Governo.

Publicado no Público.

 

Câmara dos Comuns de Otava aprova casamento homossexual

A Câmara dos Comuns de Otava aprovou terça-feira à noite um projecto-lei que autoriza o casamento de casais homossexuais, o que fará do Canadá o terceiro país no Mundo a reconhecer esse tipo de uniões.

O projecto, que há mais de dois anos divide o país, foi aprovado por uma maioria de 158 votos a favor e 133 contra.

O documento dá acesso sem restrições ao casamento dos casais homossexuais, como acontece na Holanda e na Bélgica.

O texto deverá agora ser submetido a votação no Senado, uma formalidade esperada até final de Julho, antes da governadora geral Adrienne Clarkson, representante da rainha Isabel II, chefe de Estado Canadiana, lhe dar a força de lei.

Dividido sobre esta questão, o governo liberal minoritário de Paul Martin conseguiu que a lei fosse aprovada graças ao apoio da maioria dos deputados do Novo Partido Democrático, uma pequena formação de esquerda, e dos independentistas do Quebeque.

Notícia RTP.

 

Canadá vota a favor de casamentos gay

Na câmara baixa do Parlamento

A câmara baixa do Parlamento do Canadá aprovou a lei que legaliza os casamentos entre homossexuais em todo o país, apesar da oposição das forças políticas mais conservadoras e grupos religiosos, que têm desenvolvido campanha contra esta decisão.

Contando com 158 votos a favor e 133 contra, a nova lei define que o matrimónio é a união de duas pessoas sem importar o seu género. O Canadá tornou-se assim no terceiro país a permitir os casamentos ‘gay’ depois da Bélgica e Holanda.

Após esta aprovação, a lei C-38 vai agora a votação no Senado, a câmara alta do Parlamento dominada pelos liberais, após o que será ratificada pela governadora geral do país, trâmites considerados quase protocolares. Os casamentos ‘gay’ eram já permitidos em muitas províncias canadianas, mas não em todo o país.

Durante a votação na câmara baixa, quase todos os representantes do Partido Conservador e cerca de trinta elementos do Partido Liberal, no poder, opuseram-se ao projecto, defendendo que o Governo tinha outras opções para garantir a igualdade perante a lei dos casais homossexuais, sem ter necessidade de modificar a instituição do casamento.

Ainda antes da votação, o líder dos conservadores, Stephen Harper, afirmou que, no caso do seu partido alcançar o poder, a lei será revista. Lei que contou com o apoio do Bloco do Quebeque, no poder, dos sociais-democratas do NDP e pouco menos de uma centena de deputados liberais.

Recorde-se que a Espanha poderá vir também a aprovar as uniões de pessoas do mesmo sexo. Em Abril passado, o Congresso dos Deputados, câmara baixa do Parlamento espanhol, aprovou a alteração do Código Civil com vista à legalização do casamento entre homossexuais, cumprindo assim uma promessa eleitoral do primeiro-ministro socialista José Luiz Zapatero.

Publicado no Correio da Manhã.

domingo, junho 26, 2005 

Orgulho homossexual marcha por reivindicações políticas

Gays e lésbicas ainda não têm acesso a muitos direitos associados ao casamento civil. Em protesto, centenas de pessoas marcharam, ontem, pela capital.

Por Paula Torres de Carvalho

O direito ao casamento civil de gays e de lésbicas foi a reivindicação que juntou, ontem, centenas de pessoas numa marcha que desceu a Avenida da Liberdade, em Lisboa. Esta iniciativa marcou a comemoração do "Dia de Orgulho Gay" em Portugal que também se celebrou em vários outros países da Europa.

O tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo "é, sobretudo, um tema político, tem de ser enfrentado como tal e o Estado tem de combater a discriminação existente a este nível da mesma forma que combate outras discriminações, o que não faz", considera Sérgio Vitorino, do movimento "Panteras Rosa".

Um manifesto lido pouco antes da manifestação descer a avenida, resumia as principais ideias que uniam as pessoas na concentração. Já que Portugal é, hoje, "o único país da Europa cuja constituição proíbe explicitamente a discriminação com base na orientação sexual" há que assegurar o cumprimento do garantia da igualdade de direitos e deveres. "Queremos a revisão do código civil para que passe a permitir o igual acesso de casais de gays ou de lésbicas ao casamento civil", refere o manifesto, notando existirem "muitos direitos associados ao casamento civil aos quais gays e lésbicas não têm acesso" e que vão "do registo às heranças, passando pelos regimes de propriedade até aos inúmeros aspectos da vida quotidiana."

Na marcha do movimento LGBT (Lésbico, Gay, Bissexual e Transgénero) participaram várias associações de homossexuais e representantes de alguns partidos políticos, como membros do Bloco de Esquerda (BE) de os "Verdes", do Partido Humanista e da Juventude Socialista (JS). "Enquanto cidadãos e representantes de forças políticas defendemos o princípio constitucional que proíbe a discriminação", diz Pedro Vaz, militante da JS, salientando: "A JS está ao lado do direito das minorias, sejam elas quais forem."

Este ano, a marcha contou com o apoio de duas figuras públicas: o professor universitário Rui Zink e a escritora Inês Pedrosa. Atrás deles esvoaçam bandeiras de muitas cores, um casal de duas raparigas com um bebé, muitos jovens, gente vulgar de meia idade, homens vestidos de mulheres com cabeleiras, meias de rede, sapatos de salto alto, colares e penachos de cores berrantes.

Cláudio, de 42 anos, natural de Lisboa, foi lá porque é uma causa que defende: "Porque um indivíduo tem direito à sua afirmação sexual." Ao lado, há polícias aprumados que caminham muito sérios, outros divertidos, alguns embasbacados. Nos passeios, muitos curiosos a ver a marcha passar. De boné, mãos atrás das costas, cabelo todo branco, um homem abana a cabeça. "Sou beirão, nunca tinha visto nada assim", diz. "Isto não devia ser permitido, deviam era ir todos cultivar o Alentejo. Então, isto admite-se? Não se admite...", aponta para um travesti , meio despido, cabelo negro pelas costas."Se não quer ver, vá-se embora", responde um dos organizadores da marcha que ia a passar. "Mas a conversa é consigo?" insurge-se o beirão.

Para analisar reacções como esta, o grupo "Panteras Rosa" vai organizar uma acção, no próximo dia 28 na baixa lisboeta onde dois casais de homossexuais irão exibir publicamente manifestações de carinho. Esta iniciativa será como um "termómetro da homofobia na capital", explica Sérgio Vitorino, adiantando que é preciso "visualizar o problema para o desmontar."

Publicado no Público.

 

Orgulho e preconceito

No dia do Orgulho Gay, mais de meio milhar de homossexuais e lésbicas reclamaram ontem o direito ao casamento e à adopção

Marcha gay desfilou até ao Rossio perante o olhar de quem subia e descia a Avenida da Liberdade. Em causa «Todos os direitos, para todos os amores»

Por Catarina Figueira

É glamour, diversão, sensualidade, sexualidade. Mas a Marcha do Orgulho Gay, que ontem saiu à rua, em Lisboa, pode também ser a timidez estampada no rosto daqueles que assistem pela primeira vez e para quem lutar pela igualdade de direitos não significa necessariamente «exibicionismo» ou «provocação». É o caso de Rui e João, de 23 e 24 anos, namorados há cinco meses. Apesar de concordarem com a maioria das reivindicações das várias associações que organizaram a parada, optam por manter-se do lado de fora do imenso desfile multicolor que liga a Praça do Marquês de Pombal ao Rossio.

Mais ou menos a meio da Avenida da Liberdade, o casal de namorados assiste, sentado, à passagem de gays e lésbicas, munidos de cartazes a favor do direito dos homossexuais ao casamento, à adopção e à igualdade, bandeiras cor de arco-íris com o mesmo significado, ou simplesmente a dançar ao som da música. «É a forma destas pessoas se expressarem e nós compreendemos, mas não é de todo a nossa forma de nos expressarmos. Não sentimos a mínima necessidade de apregoar a nossa sexualidade. Só achamos que não temos de ser discriminados ou olhados de lado na rua pelo simples facto de gostarmos um do outro», contam os dois estudantes a A Capital.

Mas nem só de homens e mulheres homossexuais se fez a história da Marcha do Orgulho Gay de ontem. Ao longo da descida até ao Rossio, a parada foi engrossada por vários heterossexuais, que quiseram demonstrar a sua solidariedade com a causa. Muitos trouxeram inclusive os filhos, às costas ou em carrinhos de bebés. «É o segundo ano consecutivo que participamos nesta iniciativa e trazemos sempre o António. Faz parte da educação que eu e a mãe lhe tentamos transmitir para que, desde cedo, perceba e tome para ele os valores da igualdade, da tolerância e da não-discriminação», declarou António Ramos, 35 anos, arquitecto.

À semelhança de outras cidades europeias, o desfile assinalou o Dia do Orgulho Gay e foi promovido por diversas organizações portuguesas de gays e lésbicas como a ILGA, o Clube, a Opus Gay, a Não te Prives ou a Pantera Rosa. No meio da multidão, uma jovem empunhava um cartaz em que se podia ler: «Estou aqui. Sou heterossexual. A homofobia é uma vergonha». Pelo contrário, Ana Domingues, 72 anos, olhava incrédula para os fatos mais decotados e reveladores de alguns dos manifestantes. «Eu não percebo estas gerações mais novas. Parece que está tudo louco. Onde é que já se viu um homem andar de biquini, no meio da rua, a mostrar as vergonhas todas? Tenho pena dos pais dele, tenho mesmo muita pena», desabafava.

Publicado na A Capital.

 

Direito ao casamento exigido por centenas de pessoas

Orgulho Gay » Marcha em Lisboa exigiu o cumprimento da Constituição e o fim da homofobia » Manifestantes evocaram a lei espanhola para reclamarem direitos iguais

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O orgulho em ser o que se é esteve sempre presente entre os manifestantes

Por Carla Vasconcelos

Várias centenas de pessoas marcharam, ontem, do Marquês de Pombal ao Rossio, em Lisboa, pelo direito dos gays, lésbicas, bissexuais e transgénero ao casamento civil. Marcada pelas perseguições recentes a homossexuais em Viseu, mas também pelo acórdão do Tribunal Constitucional que considerou discriminatório o artigo 175 do Código de Processo Penal, que pune o acto homossexual com adolescente, a edição deste ano teve como palavra de ordem "Cumprir a Constituição homofobia não". Os manifestantes, de todas as cores e orientações sexuais, lembraram com muita insistência a lei espanhola, que permite os casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo, para reclamar direito igual.

No manifesto, as associações promotoras da marcha consideram que o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo promoverá a "liberdade e a igualdade" e que qualquer recusa deste direito é homofóbica. Ao não alterar as leis que o permitem e ao não fazer cumprir a Constituição portuguesa, que proíbe a discriminação com base na orientação sexual, o Estado "glorifica na lei essa mesma homofobia", acusam.

Para além das associações gays e lésbicas, várias outras se associaram a esta luta, que todos consideram ser "uma luta pelos direitos humanos". Marcharam pela avenida representantes da Amnistia Internacional, da Marcha das Mulheres, da União de Mulheres Alternativa e Resposta, da Plataforma Contra o Abuso Sexual de Crianças, de associações de imigrantes, do S.O.S Racismo, do Partido Humanista, do Bloco de Esquerda e do Movimento Liberal Social que pretende tornar-se, muito proximamente, num partido.

Os escritores Inês Pedrosa e Rui Zink foram os padrinhos do protesto e encabeçaram a marcha. O actor Alexandre Frota também quis associar-se à parada. E chamou todas as atenções, não só da imprensa, como de muitos dos participantes, homens e mulheres, que quiseram fotografá-lo ou ficar no retrato ao lado dele.

Do Porto, veio o responsável pelo site "Portugalpride", que organiza uma festa semelhante na cidade nortenha, no próximo dia dois. No Porto as "coisas têm de ir mais devagar", diz João Paulo, justificando o facto de não ser realizada uma marcha, nas ruas da cidade, mas rejeitando que tal se deva a um maior conservadorismo. Até porque os apoios para a iniciativa provêm de empresas privadas e não da câmara Municipal, como acontece em Lisboa. As receitas revertem para o Hospital Joaquim Urbano, que já recebeu mais de 10 mil euros, desde 2001, data da primeira concentração nortenha.

Marchas em Paris e Berlim

Ao mesmo tempo que, em Lisboa, centenas de pessoas comemoraram o orgulho gay e desfilaram pelas ruas da cidade, outras tantas fizeram o mesmo em Paris e em Berlim. E todos exigindo os mesmos direitos o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e a possibilidade de adopção de crianças. A edição electrónica do jornal espanhol "El Mundo" destacava, ontem, as manifestações, sublinhando que nos três países os manifestantes evocaram o exemplo espanhol, que promoveu uma alteração ao Código Civil para permitir os casamentos civis à comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexual e transgénero). Em Berlim, estiveram presentes cerca de 300 mil pessoas e em Parias eram esperadas 500 mil. Em Lisboa, as opiniões dividiram-se. Enquanto a polícia apontava para pouco mais de 500 pessoas, alguns dos organizadores diziam que se tratou da maior marcha de sempre, com mais de mil participantes.

Publicado no Jornal de Notícias.

 

Marcha "Orgulho Gay" em Lisboa pelos casamentos de pessoas do mesmo sexo

O actor brasileiro Alexandre Frota, um dos concorrentes do programa "Quinta das Celebridades", juntou-se ontem à marcha

O casamento civil entre pessoas do mesmo sexo é a reivindicação política da marcha do orgulho lésbico, gay, bissexual e transgénero (LGBT) que ontem desceu a Avenida da Liberdade, em Lisboa. O actor Alexandre Frota, participante do concurso da TVI Quinta das Celebridades, foi um dos participantes da marcha.

Além da marcha, em sexta edição (anual), realizou-se ontem o nono "Arraial Pride", integrado no programa das festas de Lisboa, no Parque do Calhau, em Monsanto, com cerca de dez mil visitantesAs iniciativas tiveram este ano o apoio de duas figuras públicas, os escritores Inês Pedrosa e Rui Zink, e foram organizadas por entidades como a Associação ILGA Portugal ou o Clube Safo.

A marcha, que contou também com as organizações Não Te Prives e Panteras Rosa, pretendeu chamar a atenção da sociedade para a proibição do casamento civil por duas pessoas do mesmo sexo. "Pessoas que têm os mesmos deveres devem ter os mesmos direitos", disse Rui Zink quando da apresentação da iniciativa, altura em que criticou também que os casais homossexuais em Portugal não possam adoptar crianças. Também Inês Pedrosa se referiu ao direito de casamento entre "duas pessoas que se amam" do mesmo sexo, lamentando que, tal como na questão do aborto, Portugal esteja também aqui atrás de países como a Espanha.

Já esta semana, a associação de defesa dos direitos dos homossexuais Opus Gay apelou ao Governo para que sejam tomadas medidas "urgentes" contra a marginalização das minorias, nomeadamente através da criação de "Gabinetes Contra a Discriminação".

O actor brasileiro que se juntou ao evento, participou recentemente na Marcha do Orgulho Gay de São Paulo, no Brasil, desfilando ao lado de dois milhões e meio de pessoas, um número impressionante que bateu todos os recordes de participação em marchas do género realizados em todo o Mundo.

Publicado no O Comércio do Porto.

 

O amor nunca é errado

Parada Gay

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Os visuais mais espampanantes não faltaram na Marcha do Orgulho Gay

Os homens abraçavam amorosamente outros homens, as mulheres beijavam outras mulheres, casais heterossexuais atreviam-se em ousadas manifestações de carinho.

Ontem, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, lésbicas, ‘gays’, bissexuais, transgénero (LGBT) e heterossexuais – como os escritores Rui Zink e Inês Pedrosa – demonstraram que ‘o amor nunca é errado’.

Quando alguém lhes atirou “já não há vergonha”, responderam: “LGBT há muitos, seu palerma.”

Na Avenida havia mais de mil, unidos na reclamação do direito ao casamento civil e à adopção. Mesmo levando a reivindicação muito a sério, os LGBT não perderam a oportunidade de fazer da 6ª Marcha do Orgulho Gay uma verdadeira festa.

Publicado no Correio da Manhã.

 

Heterossexuais apoiaram marcha gay

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Mais de 400 pessoas desceram ontem a Avenida da Liberdade

Por Roberto Esteves

Casamento civil entre pessoas do mesmo sexo foi o mote da marcha 'gay'

"Estou aqui, sou heterossexual, a homofobia é uma vergonha." A frase ilustrava ontem um dos muitos cartazes reivindicativos da sexta edição da Marcha Nacional de Orgulho lésbico, gay, bissexual e transgénero de Lisboa, que reuniu cerca de 400 pessoas que desceram a Avenida da Liberdade até ao Rossio. Este ano, a iniciativa ficou marcada pela presença de algumas personalidades heterossexuais. Entre elas, Rui Zink, Inês Pedrosa, Gabriela Moita e Augusto Seabra, que reiteraram o seu apoio à legalização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo - medida que já está em aprovação em Espanha e que foi o grande objectivo político da manifestação.

Sílvia "é heterossexual perfeitamente assumida", e decidiu participar na marcha por considerar que "qualquer tipo de discriminação é baseada na ignorância" e que só iniciativas como esta "alertam as pessoas para a realidade". A luta por uma "sociedade inclusiva" foi o que levou a psicóloga Gabriela Moita a juntar-se à manifestação. Quando questionada sobre a adopção de crianças por casais homossexuais, a psicóloga afirmou ao DN não encontrar "nenhum impedimento" e explicou ainda que o que a preocupa " é o bem estar das crianças".

Pela primeira vez, a iniciativa contou com o apoio de Rui Zink e Inês Pedrosa, que foram "madrinhos" da marcha. Estes consideraram que a iniciativa é uma "luta de todos os que defendem os seus direitos".

O respeito pela liberdade e pelos direitos humanos foram as grandes motivações que levaram os dois escritores a aceitar o convite. Rui Zink disse ao DN não compreender "como é que pessoas que pagam impostos, não podem ter o direito civil ao casamento". Uma opinião partilhada por Inês Pedrosa, que considera que "o reconhecimento do direito ao casamento civil e à adopção de crianças é uma questão de direitos humanos fundamental, da máxima urgência" e lamenta as "manifestações de agressão homofóbicas" que aconteceram em Viseu, "fruto de uma mentalidade hipócrita e sonsa".

O presidente da associação ILGA de Portugal - associação que organizou o evento -, Miguel Cabral Morais, alertou ontem para o facto de a discriminação com base na orientação sexual ser "expressamente proibida pela constituição portuguesa".

Europa. Mas ontem um pouco por toda a Europa, milhares de pessoas manifestaram-se contra a discriminação e lutaram por direitos iguais entre pessoas do mesmo sexo. Pelas ruas de Paris, desfilaram mais de 700 mil pessoas, em Berlim, na Alemanha, a marcha reuniu 400 mil e, em Atenas, estiveram apenas 400 pessoas.

Publicado no Diário de Notícias.

 

El modelo español extiende la demanda de matrimonio entre los homosexuales en Europa

MARCHAS EN FRANCIA, ALEMANIA Y PORTUGAL

El derecho al matrimonio homosexual y a la adopción de niños son las dos principales reivindicaciones de los homosexuales de Francia, Alemania y Portugal, que han celebrado el día del Orgullo Gay. Los organizadores de los festivales han recordado el caso de España como ejemplo para sus peticiones.

(...)

Portugal

También en Portugal la legalización del matrimonio civil entre personas del mismo sexo es la principal reivindicación de los homosexuales en el desfile del día del Orgullo Gay, Lésbico, Bisexual y Transexual, que se celebrará en una céntrica avenida de Lisboa.

Los homosexuales portugueses, que consideran que su país está "retrasado" respecto a la vecina España, quieren obtener una revisión del Código Civil y la legislación del matrimonio entre personas del mismo sexo.

"Como en España, queremos una revisión del Código Civil para permitir el acceso de las parejas gays y lesbianas al matrimonio civil", proclama un manifiesto firmado por numerosas asociaciones homosexuales portuguesas antes de la marcha de este sábado en la capital portuguesa.

"Fuimos los primeros en vencer a la dictadura (en 1974), España nos siguió, pero en materia de derechos sociales, como el matrimonio homosexual o el aborto, España está mucho más avanzada que nosotros", señala el manifiesto.

Además de este derecho, otra reivindicación de la marcha gay en Lisboa es el lema "respetemos la Constitución, no a la homofobia". "En tanto que el matrimonio civil no afecta a las parejas del mismo sexo, el Estado glorifica la homofobia", prosigue el texto. "No todos nosotros vamos a casarnos, pero todos deberíamos poder hacerlo".

La ley portuguesa reconoce desde 2001 las uniones de hecho de personas que vivan en pareja desde hace más de dos años, con independencia de su sexo y se les reconoce ciertos derechos, especialmente en materia fiscal.

Publicado no El Mundo (Espanha).

 

Centenas manifestam-se contra a homofobia

Centenas de manifestantes desceram, sábado, a Avenida da Liberdade, em Lisboa, entoando palavras de ordem que tinham como denominador comum a exigência do fim da homofobia e de «Todos os Direitos para todos os amores».

Embora os organizadores afirmem que o desfile integrava «milhares» de pessoas, a PSP apontava para quinhentas. Alguns manifestantes admitiam que estavam menos do que em anos anteriores.

O desfile assinalou o Dia do Orgulho Gay - tal como aconteceu hoje em várias cidades europeias - e foi promovido por diversas organizações portuguesas ligadas à luta «pelo direito à indiferença», como a ILGA, a SAFO, a Opus Gay, a Não te Prives ou a Pantera Rosa.

Alguns dos manifestantes destacavam-se pelo exotismo - mini-saias muito reduzidas, botas vermelhas com saltos desmesurados e vestidos compridos em couro, lantejoulas e plumas.

Havia também quem desfilasse com simplicidade, como uma família que empurrava tranquilamente um carrinho de bebe.

«Estou aqui. Sou hetero. A homofobia é uma vergonha», dizia um cartaz empunhado por uma jovem.

Havia outras mensagens reivindicativas como «Educação sem discriminação. Por uma educação sexual que fale de todos».

Recorrendo à música da canção infantil «Todos os Patinhos sabem bem nadar», alguns manifestantes trauteavam: «Sabemos amar/Filhos não fazemos/ Queremos adoptar».

Incentivadas pelo calor da manifestação, algumas pessoas do mesmo sexo beijavam-se e abraçavam-se em público, enquanto um manifestante dizia, conversando com outro, sobre um terceiro: «Se a mãe dele o vir na televisão, está tudo estragado!».

No início do desfile, Eduarda Ferreira, das Panteras Rosa, defendendo o fim da «discriminação, seja ela qual for», afirmava aos manifestantes: «Não aceitamos menos do que a dignidade que as nossas relações merecem».

Por seu lado, Manuel Cabral Morais do Movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros), defendia: «Temos o direito de viver e temos direito a amar. Não havemos de casar todos mas temos de ter todos o direito a casar».

Pela Avenida da Liberdade abaixo, os manifestantes foram exibindo cartazes como «Homofobia aos molhos, o Estado fecha os olhos», «Cumprir a Constituição, homofobia não», «O Porto está mais forte, a ILGA chegou ao Norte».

Em Paris, Berlim e Atenas, centenas de milhar de pessoas recordaram hoje a primeira revolta homossexual, quando a polícia invadiu um bar homossexual em Greenwich Village, em Nova Iorque, a 28 de Junho de 1969, dando origem ao movimento homossexual moderno.

Notícia TSF.

sábado, junho 25, 2005 

Orgulho Gay: centenas de pessoas desfilaram em Lisboa contra a homofobia

Manifestantes exigiram autorização de casamento entre homossexuais

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No desfile foi lido um manifesto a exigir medidas de luta contra os preconceitos homofóbicos e o fim das discriminações legais

Centenas de pessoas desfilaram esta tarde pela Avenida da Liberdade, em Lisboa, no âmbito da marcha do orgulho lésbico, gay, bissexual e transgénero (LGBT). Durante a manifestação, foi exigida a autorização do casamento civil entre homossexuais e condenada a homofobia.

“Direitos iguais para todos, nem mais nem menos”, “Como em Espanha, exigimos o amor livre e igualitário”. Estas foram algumas das frases escolhidas para os cartazes empunhados pelos manifestantes, que acompanhados por bandeiras multicolores apelaram ao respeito pela Constituição, que interdita toda a discriminação fundada sobre a orientação sexual.

Segundo Paulo Corte-Real, da associação ILGA Portugal, o não reconhecimento do casamento civil entre homossexuais “viola a Constituição”, sendo exigidos “os mesmo direitos e deveres” que os casais heterossexuais. O casamento entre pessoas do mesmo sexo com direito, sem restrições, à adopção deverá ser adoptado esta quinta-feira pelo Parlamento espanhol.

No desfile de hoje foram ainda contestados os actos homofóbicos em Portugal, tendo como exemplo um caso em Viseu, onde um grupo de jovens é acusado de atacar homossexuais nos locais onde estes habitualmente se reúnem.

Para Paulo Corte-Real, desde que foram denunciados estes incidentes “houve uma tomada de consciência na sociedade da gravidade do problema da homofobia”. “É um problema social e não o de uma minoria, como todas as outras formas de exclusão”, continuou.

Antes do desfile desta tarde foi lido um manifesto a exigir ao Governo “medidas concretas de luta contra os preconceitos homofóbicos e o fim das discriminações legais”. “Enquanto o casamento civil não for autorizado aos casais do mesmo sexo, o Estado reforça e glorifica a homofobia”, sustenta o documento.

Publicado no Público.

 

Orgulho gay: marcha em Lisboa pelos casamentos de pessoas do mesmo sexo

Homossexualidade

O casamento civil entre pessoas do mesmo sexo é a reivindicação política da marcha do orgulho lésbico, gay, bissexual e transgénero (LGBT) que hoje desce a Avenida da Liberdade, em Lisboa.

Alem da marcha, em sexta edição (anual), realiza-se hoje o nono Arraial Pride, integrado no programa das Festas de Lisboa, no Parque do Calhau, em Monsanto, onde os organizadores esperam cerca de 10 mil visitantes.

As iniciativas têm este ano o apoio de duas figuras públicas, os escritores Inês Pedrosa e Rui Zink, e são organizadas por entidades como a Associação ILGA Portugal ou o Clube Safo.

A marcha, que conta também com as organizações Não Te Prives e Panteras Rosa, pretende chamar a atenção da sociedade para a proibição do casamento civil por duas pessoas do mesmo sexo.

"Pessoas que têm os mesmos deveres devem ter os mesmos direitos", disse Rui Zink quando da apresentação da iniciativa, altura em que criticou também que os casais homossexuais em Portugal não possam adoptar crianças.

Também Inês Pedrosa se referiu ao direito de casamento entre "duas pessoas que se amam" do mesmo sexo, lamentando que, tal como na questão do aborto, Portugal esteja também aqui atrás de países como a Espanha.

Já esta semana, a associação de defesa dos direitos dos homossexuais Opus Gay apelou ao Governo para que sejam tomadas medidas "urgentes" contra a marginalização das minorias, nomeadamente através da criação de "gabinetes contra a discriminação".

Num manifesto elaborado a propósito do Dia do Orgulho Gay, o presidente da associação, António Serzedelo, defendeu a criação de gabinetes públicos e de uma "agência pela diversidade", onde todos os cidadãos se possam dirigir "para obter reparos das ofensas de que são vítimas, por razões de discriminação".

Publicado no Público.

 

Des "Marches des fiertés" à Berlin, Athènes, Lisbonne

(...)

A Lisbonne, le mariage était au centre des revendications de cette sixième marche, inspirée par l'exemple de l'Espagne voisine où la majorité socialiste s'apprête à légaliser le mariage homosexuel. Cinq cent personnes selon la police, quelques milliers selon les organisateurs, ont défilé pour réclamer l'autorisation du mariage civil et protester contre l'homophobie.

Publicado no Le Monde (França).

 

Reclaman en Lisboa fin de la homofobia

Salen a las calles para conmemorar el "Día del Orgullo Gay"

Cientos de homosexuales conmemoraron hoy en Lisboa el "Día del Orgullo Gay", bajo el lema "todos los derechos para todos los amores" y la exigencia de que termine la homofobia.

Diversas organizaciones homosexuales respaldaron la marcha, que recorrió la céntrica Avenida da Liberdade de Lisboa, como ILGA Portugal, SAFO, Opus Gay, Pantera Rosa y Nao te Prives, y en la que algunos participantes exhibieron vistosas y coloridas vestimentas.

También se criticó a la Iglesia Católica, se reclamó "Educación sin discriminación", la posibilidad de que los homosexuales puedan adoptar, y se gritaron lemas como "Cumplir la Constitución. Homofobia no", "Amo a quien quiero, sea hombre o mujer", o "Ni menos, ni más. Derechos iguales".

Publicado no El Universal (México).

 

Orgulho de ser gay

Lisboa: marcha parte do Marquês e percorre a Avenida da Liberdade

Por Isabel Ramos e Cristina Serra

correio_25.jpgA discriminação com base na orientação sexual é expressamente proibida na Constituição Portuguesa. Mesmo assim, ao arrepio da Lei Fundamental, o exercício de alguns direitos permanece interdito aos homossexuais portugueses.

‘Gays’, lésbicas, bissexuais, pessoas que mudaram de sexo e heterossexuais desfilam hoje Avenida da Liberdade abaixo, reclamando: “Cumpra-se a Constituição: Homofobia Não!”. Trata-se da 6.ª Marcha do Orgulho LGBT (Lésbicas, ‘Gays’, Bissexuais e Transgénero), este ano com dois ‘madrinhos’ heterossexuais: os escritores Rui Zink e Inês Pedrosa.

Hoje à tarde, cerca das 17 horas, no Marquês de Pombal, de onde parte a Marcha, será lido o manifesto que sintetiza as reclamações de quem tem orientação sexual minoritária. “Tal como em Espanha, queremos a revisão do Código Civil para que passe a permitir o igual acesso de casais de ‘gays’ ou de lésbicas ao casamento civil” - esta é uma das reivindicações incluídas naquele documento .

Do confronto entre a realidade e o texto constitucional resulta claro para homossexuais e lésbicas que “enquanto o casamento civil não for alargado aos casais de pessoas do mesmo sexo, é o Estado que classifica as nossas relações de indignas e é afinal o Estado que continua a chamar-nos fufas e paneleiros”.

‘Gays’, lésbicas e pessoas que mudaram de sexo assumem no manifesto: “O igual acesso ao casamento civil é a nossa reivindicação clara, a nossa exigência democrática, o nosso grito pela liberdade e igualdade”.

Tal como para a Marcha, para o Arraial Pride – a partir das 20h00, no Parque do Calhau, em Sete Rios/Monsanto – estão convidados todos os heterossexuais que, como Rui Zink e Inês Pedrosa, combatem a discriminação baseada na orientação sexual.

Algumas figuras conhecidas do público vão desfilar na Avenida da Liberdade. Entre elas estará o actor Alexandre Frota que, depois da Marcha, participa, a partir das 9 horas de amanhã, num ‘after-hours’ na discoteca Garage, em Lisboa, como DJ, com música ‘tribal’ e ‘tribal house’.

HOMOSSEXUAIS E HETEROSSEXUAIS CONTAM NA PRIMEIRA PESSOA COMO É A AMIZADE ENTRE ELES

"CONTRA A ADOPÇÃO" (Manuel Serrão, Empresário)

“Tenho tantos amigos hetero como homo e os amigos escolhem-se por serem amigos e não pela sua condição. Nunca senti qualquer constrangimento por me relacionar com ‘gays’, até porque estou no mundo da moda há 17 anos. É uma área em que há uma grande representatividade desta comunidade. Os ‘gays’ devem ter iguais direitos legais nas uniões de facto mas sou completamente contra a adopção de crianças.”

"IGUALDADE DE DIREITOS" (Vale de Almeida, Antropólogo)

“A maioria dos meus amigos são hetero porque passamos a vida a lidar com heteros. Esses amigos são-no na acepção da palavra e não porque está na moda ter amigos ‘gay’, nem eu permitia que me exibissem. Nunca senti que se sentissem constrangidos na minha presença. Há gays que não se assumem porque não há condições sociais para afirmarem a sua sexualidade. Defendo igualdade de direitos no casamento e adopção de crianças.”

"NÃO PAGUEM IMPOSTOS" (Rui Zink, Escritor)

“Tenho amigos ‘gays’ e quando o soube senti surpresa, não choque, mas a minha geração tem de auto-educar-se. Nunca senti constrangimento por ter amigos ‘gays’, só quando alguém pensa que partilho o preconceito. Não tenho relações de amizade por moda, apesar da homossexualidade agora ser mais visível. Se os deveres são iguais, os direitos também devem ser. Não se podem casar nem adoptar? Então deixem de pagar impostos!”

"INTERESSE DA CRIANÇA" (António Serzedelo, Professor)

“A maior parte dos meus amigos são hetero, mas tenho outros que não se assumem, alguns casados. Quando querem estar comigo pedem-me para irmos a um restaurante recatado. Os ‘gays’ não assumidos sentem-se constrangidos por estar em público comigo. Os hetero não, mas é impossível garantir que nunca me exibiram. Mas não sou um bicho de feira. Sou a favor da adopção, sempre no interesse das crianças.”

"VER O ESTILO DE VIDA" (Inês Pedrosa, Escritora)

“Tenho amigos homossexuais, homens e mulheres, e não me passa pela cabeça distingui-los pela orientação sexual. Gostaria de viver numa sociedade em que essa questão não se colocasse. Não se trata de opção mas de orientação sexual. As pessoas não deviam ser culpabilizadas. Não tenho reserva quanto a casamentos e adopção de crianças. O importante é analisar a personalidade e o estilo de vida do adoptante.”

"OS HETERO DÃO FORÇA" (Pedro Russo, Operador de loja)

“Hoje tenho mais amigos hetero, mas antes de me assumir só tinha amigos ‘gay’. Os novos amigos dão força e nunca senti qualquer constrangimento da parte deles ou que se aproximassem de mim por estar na moda ter amigos ‘gay’. Às vezes acontece estar em público e sentir olhares discriminatórios do povo. As mentalidades devem mudar e defendo o casamento entre ‘gays’ e a adopção de crianças – muitas passam fome.”

Publicado no Correio da Manhã.

quinta-feira, junho 23, 2005 

Madrinhos de dia gay

ines_pedrosa.jpgOs escritores Inês Pedrosa e Rui Zink são os ‘madrinhos’ da sexta marcha nacional de Orgulho Gay, que sábado desce a Avenida da Liberdade, em Lisboa.

A iniciativa, que conta com a presença do actor Alexandre Frota, arranca, às 17h00, do Marquês de Pombal e termina no Rossio. Os homossexuais vão marchar pelo direito ao casamento civil.

Numa iniciativa das associações ILGA, Clube Safo, Não te Prives e Panteras Rosa, o Dia de Orgulho Gay prossegue, às 20h00, com o Arraial Pride, no Parque do Calhau (Sete Rios).

Publicado no Correio da Manhã.

 

Homossexuais e lésbicas lutam por casamento civil

Por João Lameira

Reivindicação política dos homossexuais e lésbicas para a marcha deste ano

O casamento civil entre homossexuais e entre lésbicas é a principal reivindicação política da marcha do orgulho lésbico, gay, bissexual e transgénero (LGBT) que no próximo sábado, dia 25 de Junho, vai descer a Avenida da Liberdade, em Lisboa.

Os organizadores da iniciativa, que ontem promoveram uma conferência de imprensa em Lisboa, fundamentam a sua exigência nas alterações à Constituição Portuguesa, introduzidas pela revisão de 2004, que proíbem qualquer discriminação com base na orientação sexual. "A noção de que a procriação é a base do casamento é retrógrada. Se assim fosse, os casais heterossexuais que não quisessem ou não pudessem ter filhos estariam impedidos de se casar. O que é um perfeito disparate", diz Rui Zink. "As pessoas só falam da família tradicional, porque nunca viveram nela", acrescenta Inês Pedrosa. Os dois escritores serão os "madrinhos" da sexta marcha nacional do orgulho LGBT, da responsabilidade da Associação ILGA Portugal, do Clube Safo, da Associação Não Te Prives e da Associação Panteras Rosa. Para os intervenientes, é preciso que todos dêem a cara na luta contra a homofobia e os actos de violência sobre homossexuais, seja qual for a sua orientação sexual. "O silêncio é uma forma de cumplicidade, se aceitarmos as coisas como estão, elas vão continuar", diz Inês Pedrosa. Para Manuel Cabral Morais, da ILGA, "a marcha é um momento de orgulho e afirmação, contra os preconceitos e pela igualdade de direitos". Na manifestação, comemora-se também o dia 28 de Junho de 1969 - data em que, na sequência do funeral da actriz Judy Garland, já então um ícone gay, cerca de 200 frequentadores do bar Stonewall Inn, em Nova Iorque, se revoltaram contra agressões verbais e físicas das autoridades policiais naquele local.

Na noite de sábado, decorrerá ainda no Parque do Calhau, em Monsanto, o Arraial Pride - evento que pela segunda vez integra as festas de Lisboa e que contará com a presença de vários artistas, bandas e DJ, onde se esperam perto de 10 mil pessoas. "No arraial aparece mais gente, porque é à noite e não há tanta exposição", acaba por confessar Eduarda Ferreira, do Clube Safo.

Publicado no Público.

quarta-feira, junho 22, 2005 

Portugal - Los homosexuales portugueses pedirán el derecho al matrimonio en el desfile del Día del Orgullo Gay en Lisboa

De la corresponsal de EUROPA PRESS, Patricia Ferro

La legalización del matrimonio civil entre personas del mismo sexo será la reivindicación de los homosexuales portugueses en el desfile del día del Orgullo Gay, Lésbico, Bisexual y Transexual, que el sábado se celebrará en una céntrica avenida de Lisboa, anunció hoy la organización.

El sexto desfile del orgullo gay que se celebra en Portugal tendrá como padrinos a los escritores Inés Pedrosa y Rui Zink, que asistieron a la presentación del acto y ambos destacaron que el matrimonio entre dos personas del mismo sexo es "un derecho a la normalidad", ya que la situación en Portugal no se corresponde con la Constitución que prohíbe la discriminación con base en la orientación sexual.

Pedrosa lamentó que en este asunto del matrimonio gay, al igual que en el del aborto, "Portugal vaya por detrás de países como España", y consideró que la ley sobre matrimonios del mismo sexo aprobada en el país vecino es un ejemplo que debería seguir Portugal.

La escritora afirmó que "es una reivindicación legítima" y apeló a "todos los que consideran justas las reivindicaciones de los homosexuales" a que participen en el desfile y en la fiesta del sábado.

"Las personas que tienen los mismos deberes tienen que tener los mismos derechos. Si los gays y las lesbianas dejaran de pagar impuestos, entonces me parecería bien que no pudieran casarse", ironizó Rui Zink.

El escritor también criticó que las parejas homosexuales no puedan adoptar niños, ya que lo importante es que tengan condiciones económicas y afectivas para cuidarlos, lo que "muchas veces no ocurre en parejas heterosexuales", dijo.

Sin embargo, añadió Zink, y a pesar de los "escándalos" de pederastia en instituciones benéficas como la Casa Pía, "sigo teniendo confianza en las instituciones públicas en lo que respecta al cuidado de los niños".

El desfile del sábado por la céntrica avenida de la Libertad lisboeta y la posterior fiesta en el parque del Calhao, en el que participan la Asociación ILGA y organizaciones como 'No te prives' y 'Pantera Rosa', pretende llamar la atención de la sociedad portuguesa sobre la prohibición del matrimonio civil entre dos personas del mismo sexo, y se espera una participación de unas 10.000 personas.

Notícia Europa Press (Espanha).

 

Pelo direito ao casamento civil

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Homossexuais vão marchar sábado em Lisboa

O casamento civil entre pessoas do mesmo sexo é a reivindicação política da marcha do orgulho lésbico, gay, bissexual e transgénero (LGBT) que no sábado se vai realizar na Avenida da Liberdade em Lisboa.

A sexta marcha nacional do orgulho LGBT foi hoje apresentada em Lisboa pela Associação ILGA Portugal e pelo Clube Safo na presença dos dois "madrinhos" escolhidos para a iniciativa, os escritores Inês Pedrosa e Rui Zink.

Além da marcha, foi igualmente apresentado o nono Arraial Pride, integrado no programa das Festas de Lisboa, que decorrerá no Parque do Calhau, em Monsanto, onde a organização do evento espera ver cerca de 10 mil visitantes.

A marcha, que conta também com as organizações Não Te Prives e Panteras Rosa, pretende chamar a atenção da sociedade para a proibição do casamento civil por duas pessoas do mesmo sexo.

"Pessoas que têm os mesmos deveres devem ter os mesmos direitos", disse Rui Zink, ironizando: "se os gays e lésbicas deixarem de pagar impostos, então acho bem que não possam casar-se".

Rui Zink criticou igualmente a impossibilidade de os casais homossexuais em Portugal não poderem adoptar crianças, referindo que o principal é que os casais tenham condições económicas, afectivas e psicológicas para as tratarem, o que não acontece por vezes em casais heterossexuais.

Também Inês Pedrosa se referiu ao direito de casamento entre "duas pessoas que se amam" do mesmo sexo, lamentando que, tal como na questão do aborto, Portugal esteja também aqui atrás de países como a Espanha.

"Esta reivindicação (casamento civil) é legítima" acrescentou a escritora, apelando a todos os que "acham justas as reivindicações" dos homossexuais a participarem na marcha e no arraial de sábado.

Os dois escritores sublinharam que o direito ao casamento entre duas pessoas do mesmo sexo é o "direito à normalidade", afirmando que o casamento não tem só como objectivo a reprodução.

Ambos realçaram que a situação em Portugal não se compadece com a Constituição Portuguesa que proíbe a discriminação com base na orientação sexual.

Notícia SIC.

 

Homossexuais vão marchar sábado pelo casamento civil

O casamento civil entre pessoas do mesmo sexo é a reivindicação política da marcha do orgulho lésbico, gay, bissexual e transgénero (LGBT) que no sábado se vai realizar na Avenida da Liberdade em Lisboa.

A sexta marcha nacional do orgulho LGBT foi hoje apresentada em Lisboa pela Associação ILGA Portugal e pelo Clube Safo na presença dos dois "madrinhos" escolhidos para a iniciativa, os escritores Inês Pedrosa e Rui Zink.

Além da marcha, foi igualmente apresentado o nono Arraial Pride, integrado no programa das Festas de Lisboa, que decorrerá no Parque do Calhau, em Monsanto, onde a organização do evento espera ver cerca de 10 mil visitantes.

A marcha, que conta também com as organizações Não Te Prives e Panteras Rosa, pretende chamar a atenção da sociedade para a proibição do casamento civil por duas pessoas do mesmo sexo.

"Pessoas que têm os mesmos deveres devem ter os mesmos direitos", disse Rui Zink, ironizando: "se os gays e lésbicas deixarem de pagar impostos, então acho bem que não possam casar-se".

Rui Zink criticou igualmente a impossibilidade de os casais homossexuais em Portugal não poderem adoptar crianças, referindo que o principal é que os casais tenham condições económicas, afectivas e psicológicas para as tratarem, o que não acontece por vezes em casais heterossexuais.

Em oposição, Rui Zink referiu que não deixou de ter confiança nas instituições públicas quanto ao tratamento das crianças apesar dos "escândalos" como o da Casa Pia.

Também Inês Pedrosa se referiu ao direito de casamento entre "duas pessoas que se amam" do mesmo sexo, lamentando que, tal como na questão do aborto, Portugal esteja também aqui atrás de países como a Espanha.

"Esta reivindicação (casamento civil) é legítima" acrescentou a escritora, apelando a todos os que "acham justas as reivindicações" dos homossexuais a participarem na marcha e no arraial de sábado.

Os dois escritores sublinharam que o direito ao casamento entre duas pessoas do mesmo sexo é o "direito à normalidade", afirmando que o casamento não tem só como objectivo a reprodução.

Ambos realçaram que a situação em Portugal não se compadece com a Constituição Portuguesa que proíbe a discriminação com base na orientação sexual.

Notícia RTP.

terça-feira, junho 21, 2005 

Dia do Orgulho Gay: Associação defende criação de Gabinetes Contra Discriminação

A associação de defesa dos direitos dos homossexuais Opus Gay apelou hoje ao Governo para que sejam tomadas medidas "urgentes" contra a marginalização das minorias, nomeadamente através da criação de "Gabinetes Contra a Discriminação".

Num manifesto elaborado a propósito do Dia do Orgulho Gay, que se assinala sábado, o presidente da associação, António Serzedelo, defende a criação de gabinetes públicos e de uma "Agência Pela Diversidade", onde todos os cidadãos se possam dirigir "para obter reparos das ofensas de que são vítimas, por razões de discriminação".

No documento, a Opus Gay lembra ao Executivo socialista a promessa governamental de adoptar todas as políticas comunitárias contra a discriminação e a exclusão social das minorias.

A associação reclama ainda a revisão da lei das uniões de facto, que considera "inoperante", e da legislação que impede o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

A Opus Gay considera que "cada vez há mais exclusão" em Portugal e lembra ao primeiro-ministro, José Sócrates, que "defender os direitos humanos não tem custos económicos, mas ignorá-los traz graves custos sociais".

Numa carta dirigida ao Presidente da República, datada de 25 de Maio, António Serzedelo apelava também a uma intervenção pública de Jorge Sampaio contra a marginalização das minorias.

Na missiva, que não obteve resposta por parte do Chefe de Estado, a associação sublinha que não pretende a realização de uma presidência aberta especificamente dedicada aos direitos sexuais, mas uma iniciativa presidencial orientada para a promoção da tolerância relativamente a todas as minorias, incluindo as minorias sexuais.

"Sentimos que é nossa obrigação recordar ao primeiro garante da democracia em Portugal que ela não só não avança, como não acerta o passo com a União Europeia se continuarmos a assistir a inquietantes sinais de perseguição e intolerância das várias minorias, incluindo as sexuais, no nosso país", refere a Opus Gay na carta enviada a Jorge Sampaio.

A associação refere-se, em particular, a acontecimentos recentes em Viseu, onde foram relatadas perseguições a elementos da comunidade homossexual da cidade.

O Dia do Orgulho Gay assinala-se sábado com uma marcha em Lisboa, entre o Marquês de Pombal e o Rossio, e um arraial no Lugar do Calhau, em Monsanto.

Notícia RTP.

domingo, junho 19, 2005 

Não aos casamentos gay

Madrid

A capital espanhola foi ontem palco de um megaprotesto contra os casamentos entre homossexuais ao qual aderiu a Igreja Católica: pelo menos duas dezenas de prelados estiveram presentes, entre os quais o arcebispo de Madrid, Rouco Varela.

A marcha que, de acordo com a organizacão, juntou um milhão e meio de pessoas, contou ainda com a presença de destacados políticos espanhóis, incluindo o secretário-geral do Partido Popular, Angel Acebes.

A manifestação foi convocada pelo Fórum Espanhol da Família, em protesto contra a aprovação pelo governo socialista de José Luis Zapatero das uniões ‘gay’.

Publicado no Correio da Manhã.

 

Milhares em Madrid contra casamentos 'gay'


Protesto foi organizado por várias organizações católicas

Vários milhares pessoas marcharam ontem em Madrid contra a legalização dos casamentos entre homossexuais, num protesto organizado pelo Fórum Espanhol da Família, que congrega cinco mil associações católicas de Espanha. "Pelo direito a um pai e a uma mãe" ou "A família sim, ela conta" e "Como se nota, as crianças não votam" foram alguns dos slogans repetidos pelos manifestantes, que exigiram a anulação da lei, aprovada recentemente, que permite as uniões gay.

O elevado número de manifestantes levou os organizadores a exigir serem recebidos com urgência pelo primeiro-ministro Zapatero. Vários membros da Igreja juntaram-se à multidão, munida de bandeiras espanholas e cartazes, assim como o secretário geral do PP espanhol, Angel Acebes, entre outros altos dirigentes daquele partido de direita. O aparecimento na marcha do arcebispo de Madrid, António María Rouco Varela, motivou uma ovação dos madrilenos que percorreram as principais ruas da capital espanhola, sob temperaturas de mais de 30 graus, reclamando um conceito legal de matrimónio em consonância com os ditames da Igreja católica. "Matrimónio verdadeiro = Homem + Mulher", era uma das frases reproduzidas nos cartazes. Os participantes chegaram à cidade vindos de todo o país através de 600 autocarros, três aviões e uma dezena de comboios, alugados expressamente pelos organizadores.

Durante o protesto, foi lido um manifesto, o qual acusa o Governo espanhol de atentar contra os fundamentos da família e exige um alei que garanta a cada criança o direito a ter um pai e uma mãe. Mas as reivindicações do adeptos do "não" à legalização das uniões entre pessoas do mesmo sexo não se ficam por aqui. Uma política integral de protecção da família, uma lei que garanta e reforce o respeito pela vida humana na sua integridade e uma valorização positiva das convicções religiosas na sociedade são outros dos pontos abordados.

Recorde-se que, em Abril, o Parlamento espanhol deu luz verde à legislação que permite os casamentos homossexuais. A sua aprovação definitiva deverá ocorrer no Senado, final deste mês. Esta lei garante ainda que os casais gay podem adoptar crianças.

Horas antes, o Executivo espanhol havia expressado "o respeito pelo direito aos cidadãos de se manifestarem", mas deixou expresso de que "os que se manifestem hoje o fazem para exigir que um direito seja negado a outros".

Publicado no Diário de Notícias.

quinta-feira, junho 16, 2005 

Políticos ameaçados por gays em Espanha

O presidente da Plataforma Popular Gay espanhola, Carlos Biendicho, criticou o apoio expresso do partido a que pertence - PP-Partido Popular - à manifestação agendada para sábado contra os casamentos entre homossexuais, e pediu ao líder do PP, Mariano Rajoy, que apele aos militantes para que não participem (nessa qualidade) na referida manifestação.

Carlos Biendicho ameaça mesmo começar a revelar publicamente a orientação sexual dos políticos, se Mariano Rajoy não orientar o respectivo grupo parlamentar para apoiar a prevista lei dos casamentos homossexuais.

A decisão do PP foi anunciada durante uma conferência de Imprensa, pelo secretário do partido, Ángel Acebes, que esclareceu que a manifestação convocada pelo Foro Espanhol da Família "não é contra os homossexuais" mas, sim, contra um projecto concreto do Governo, que é "um compromisso, um desafio e uma provocação" do Executivo.

O diário "El Mundo" revelava, ontem, que o cardeal arcebispo de Madrid, António Maria Rouco, e os três bispos auxiliares da diocese vão participar na manifestação convocada para sábado pelo Foro Espanhol da Família.

Publicado no Jornal de Notícias.

quinta-feira, junho 09, 2005 

Vereador António Abreu defende casais homossexuais nos casamentos de Sto. António

A tradição dos casamentos de Santo António foi retomada em 1997

O vereador comunista da Câmara de Lisboa António Abreu vê com bons olhos que os tradicionais casamentos de Sto. António integrem num futuro próximo casais homossexuais.

Questionado sobre se gostaria de ver casamentos entre pessoas do mesmo sexo naquele evento, António Abreu sublinhou que "é nesse sentido que se deve ir". "A iniciativa deve ir no sentido de contemplar a maior diversidade de relações entre as pessoas", disse o vereador à agência Lusa. Para que tal seja possível, a legislação em vigor tem de mudar.

"É uma questão dos dias de hoje que os órgãos deliberativos têm de encarar e resolver", afirmou o autarca, que integrou o executivo municipal liderado pelo socialista João Soares, responsável pelo retomar da tradição dos casamentos de Sto. António, em 1997.

Para o vereador comunista, uma solução legal que permita casamentos entre pessoas do mesmo sexo deve ser discutida "no mais curto espaço de tempo, à semelhança do que se tem vindo a passar noutros países".

Os casamentos de Sto. António foram criados em 1958 por iniciativa do jornal "Diário Popular" e foram suspensos com o 25 de Abril de 1974, quando eram, de acordo com António Abreu, "uma bandeira propagandística do salazarismo". O vereador explicou que inverter esta imagem foi uma das condições para retomar do evento.

António Abreu frisa que hoje a iniciativa é "um gesto de simpatia da Câmara para com jovens, numa altura importante das suas vidas", que se traduz "num momento de festa".

Publicado no Público.

terça-feira, junho 07, 2005 

Papa condena uniões gay

'Ameaça'

O Papa Bento XVI pronunciou-se ontem pela primeira vez com clareza sobre os casamentos entre homossexuais, condenando esse tipo de uniões, que associa a “liberdade anáquica” que ameaça o futuro da família.

O Sumo Pontífice, que falava às famílias na catedral de São João, em Roma, condenou ainda o divórcio, os métodos artificiais de controlo do nascimento, os casamentos pelo civil e as uniões de facto.

Publicado no Correio da Manhã.

segunda-feira, junho 06, 2005 

Referendo: Suíça aprova Shengen

Os suíços aprovaram, ontem, com 56,6% dos votos, os acordos de Shengen e de Dublim, tendo-se igualmente pronunciado a favor de um estatuto jurídico à união entre homossexuais (58%). O índice de participação nos referendos situou-se entre 52 e 56%. Shengen suprime os controlos de pessoas nas fronteiras (excepto nos aeroportos), mas, em contrapartida, implica uma cooperação policial e judicial reforçada. Os acordos de Dublim prevêem que um pedido de asilo recusado por um dos países membros não possa ser apresentado a um outro Estado, o que elimina 20% dos requerimentos feitos na Suíça.

Publicado no Diário de Notícias.

 

Paris: Gays acusam Papa de ser homofóbico

Alguns militantes da associação de luta contra a sida simularam um casamento homossexual entre duas mulheres na catedral de Notre-Dame. Durante a cerimónia, o Papa Bento VXI foi acusado de ser homofóbico e cúmplice da propagação da doença da sida. Os manifestantes já se tinham reunido junto à câmara municipal de Paris para protestar contra a homofobia e lutar pela igualdade dos direitos.

Publicado no Diário de Notícias.

Objectivo

  • O objectivo deste blog é recolher toda a informação relativa ao casamento entre pessoas do mesmo sexo que vá sendo publicada nos principais meios de comunicação portugueses. E a informação publicada no estrangeiro sobre Portugal. Além de textos informativos também serão recolhidos textos de opinião positiva ao casamento homossexual. Este blog não tem qualquer finalidade comercial, no entanto se alguma entidade se sentir lesada ou não permitir a utilização de algum conteúdo constante neste sítio comunique-nos, por favor, através do nosso e-mail, que também deve ser usado para nos enviar qualquer sugestão, dúvida ou comentário. Obrigado.
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