quarta-feira, agosto 25, 2004 

Homossexuais: Cheney contra proposta de Bush para proibir casamento

Assumindo uma posição contra a emenda constitucional proposta por George W. Bush para proibir o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, defendeu esta terça-feira as relações homossexuais.

Num comício de campanha realizado em Davenport, no Iowa, o vice-presidente norte-americano afirmou que «liberdade significa liberdade para todos» pelo que devemos «ser livres para iniciar o tipo de relação que quisermos».

Cheney explicou que este tema, que provocou divisões no seio do partido republicano, lhe é bastante familiar pelo facto de uma das suas filhas, Mary, ser homossexual.

Sobre a polémica suscitada em torno dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, o vice-presidente defendeu que deve ser cada Estado a decidir o que fazer em vez de se tomar uma decisão a nível federal.

Cheney manteve, no entanto, o silêncio sobre o assunto quando, em Julho do ano passado, Bush deu apoio a uma emenda à constituição que proibiria o casamento homossexual. A proposta foi recusada pelo Senado.

Notícia TSF.

domingo, agosto 08, 2004 

Reprovados Casamentos Homossexuais

Por Rui Chaves

Sondagem - Exemplo espanhol não vinga


Michael Stephens/Epa

A maioria dos portugueses (55 por cento) está contra a legalização de casamentos entre homossexuais, segundo uma sondagem da Aximagem para o jornal Correio da Manhã.

De entre os 35,3 por cento que são “a favor” dessa legalização (9,6 por cento manifestam-se “sem opinião”), a mesma sondagem indica que a maioria (53,8 por cento) são favoráveis à adopção por um casal de homens quando as crianças são “abandonadas pelos verdadeiros pais”, um valor que se aproxima dos dois terços (61,1 por cento) quando a possibilidade de adopção nas mesmas circunstâncias (abandono dos filhos pelos pais) se coloca perante um casal de mulheres homossexuais.

Os inquiridos foram informados de que “em Espanha foi recentemente aprovada uma lei que permite o casamento entre homossexuais”, perguntando-se em seguida se “é a favor ou contra que em Portugal seja legalizado o casamento entre homossexuais?”. Aos 55,1 por cento de respostas “contra”, correspondem 35,3 por cento de respostas “a favor” da legalização e 9,6 por cento “sem opinião”.

PSD CONTRA PS A FAVOR

Na distribuição por partidos, os eleitores do PSD (69,1 por cento) foram aqueles que mais abertamente se revelaram contra a legalização dos casamentos homossexuais, seguidos pelos votantes no PCP (64,2 por cento). Pelo contrário, os votantes do PS (46,1 por cento a favor e 44,8 por cento contra) foram os únicos que se revelaram maioritariamente favoráveis à possível legalização dos casamentos entre homossexuais.

Abstencionistas (34,9 por cento) seguem-se na lista dos mais abertos à legalização. O PP caracteriza-se, na sondagem, por ser o partido com maior número de eleitores “sem opinião” (23,7 por cento). O Bloco de Esquerda não aparece representado.

GRANDE PORTO FAVORÁVEL

Por regiões, o Grande Porto foi a única que mostrou maior número de respostas favoráveis (46,1 por cento a favor, 45,2 por cento contra), enquanto o Interior foi a que revelou maior disparidade entre as respostas “contra” (62,7 por cento) e “a favor” (31,7 por cento).

Os habitantes do chamado meio “Rururbano”, ou misto, foram também os que se mostraram mais contrários à legalização (62,8 por cento contra e 31,7 por cento a favor), por oposição aos citadinos, do meio “urbano”, que se revelam mais divididos (44,8 por cento contra e 40,6 a favor).

A relação entre a idade e a disponibilidade para a legalização é inversamente proporcional, com os eleitores de 60 ou mais anos a manifestar a maior oposição aos casamentos entre homossexuais (85,9 por cento contra e 10,9 por cento a favor), enquanto os eleitores do grupo entre os 18 e os 29 anos são os únicos maioritariamente a favor dessa legalização (68 por cento).

HOMENS OPÕEM-SE

Os homens (58 contra 31,2) oferecem mais resistência aos casamentos homossexuais do que as mulheres (52,4 contra, 39,1 a favor). Os inactivos (74,6), aqueles com instrução “primária ou menos” (74,5) e o estrato socio-económico mais baixo 870,4 por cento) estão preferencialmente “contra” a legalização.

Por oposição, os trabalhadores “activos” (44,1 por cento), os que têm uma instrução “mais que primária”(50 por cento) e o estrato socio-económico mais alto (45,5 por cento) revelam maior número de respostas favoráveis à legalização do que contra a mesma.

"UNIÃO ENTRE HOMOSSEXUAIS NÃO É UM CASAMENTO" - D. ANTÓNIO MARCELINO, BISPO DE AVEIRO

Correio da Manhã – Como é que a Igreja vê os resultados desta sondagem?

D. António Marcelino – A minha opinião pessoal é a de que uma união entre homossexuais não é um casamento, não é uma família. pode até haver uma forma de união que seja reconhecida pelo Estado, mas isso não é um casamento no sentido em que a Igreja o entende.

E quanto à adopção? Parece-lhe preferível que uma criança fique abandonada a ser adoptada por um casal homossexual?

A questão não deve ser colocada assim porque há instituições e casais constituídos por um homem e uma mulher que têm de esperar anos para adoptar uma criança. Por princípio sou contra a adopção por homossexuais. Até pode haver casos concretos em que possam tratar bem de uma criança, mas há questões afectivas e por princípio uma criança só deve ser adoptada por um pai e uma mãe.

Isso não é discriminação?

Entendo que os homossexuais não devem ser discriminados e podem assumir a sua sexualidade. Mas são o que são, não queiram ser outra coisa. A Lei como está, está bem. – R.C. l

"RESULTADOS SUGEREM MUDANÇA DE ATITUDES" -

ANTÓNIO SERZEDELO, PRES. DA OPUS GAY

Correio da Manhã – O que acha dos resultados?

António Serzedelo – Sugere uma mudança de atitudes. Apesar de a maioria ser contra a legalização, há um terço que é a favor se fosse há uns anos eram 90 por cento contra.

Entende então que há uma maior abertura?

É altura de se lançar de novo o tema à discussão pública. Nada há a temer que as diferentes comunidades, científica, civil e ‘gay’ façam ouvir as suas vozes.

A Igreja continua a ser frontalmente contra?

Estamos a falar de um casamento civil! A Igreja não deve pronunciar-se, como não se pronuncia sobre os divórcios. O casamento civil é um contrato. Por outro lado, a própria constituição diz que uma pessoa não deve ser discriminada pela sua orientação sexual. É uma questão de direito. Se depois o exerce é outra questão. Até costumo brincar e dizer que os ‘gays’ são os únicos que ainda acreditam no casamento.

FAVORÁVEIS À LEGALIZAÇÃO ACEITAM ADOPÇÃO

MULHERES

Adopção por casais femininos recebe maior aceitação (61,1) do que por casais de dois homens (53,8), entre aqueles que aceitam a legalização dos casamentos.

INTERIOR

A região Interior é aquela onde se regista maior discrepância quanto à adopção consoante o sexo (48,1 aceitam por homens e 62,7 aceitam se forem mulheres).

GÉNERO

As mulheres mostram-se mais indiferentes ao sexo do casal que se proponha adoptar. Já os homens rejeitam se o casal for masculino e aceitam se for feminino.

IDADE

Ao contrário da pergunta sobre legalização, a idade, instrução e condição económica não se revelam factopres decisivos nas respostas à adopção.

REACÇÕES PARTIDÁRIAS

PSD INDISPONÍVEL PARA COMENTAR (SEM OPINIÃO,

O CM tentou ontem à tarde contactar algum responsável do PSD para comentar a sondagem. Guilherme Silva, líder parlamentar, e os deputados Jorge Nuno de Sá, Gonçalo Capitão e Ana Manso revelaram-se incontactáveis. Miguel Frasquilho alegou não ser a sua área e Teresa Morais que estava “de férias”.

"PS MAIS ABERTO À LEGALIZAÇÃO" - VILTALINO CANAS, DEPUTADO DO PS

“Não me surpreendem os resultados no que respeita ao casamento e ao facto de o PS ser o partido mais aberto à legalização. O PS é um partido por tradição liberal no que respeita aos costumes, mais do que o PCP. Já na questão da adopção parece-me não ter ainda havido um debate conclusivo no partido.”

"SENTIMENTO DA MAIORIA" - PIRES DE LIMA, PORTA-VOZ DO PP

“O resultado expressa aquilo que, no entender do PP, é o sentimento da maioria dos portugueses. Há o respeito pela orientação sexual de cada um, mas o casamento é uma instituição que simboliza o compromisso entre um homem e uma mulher. Portugal não deve seguir o exemplo de outros países, mesmo que vizinhos.”

"CRESCENTE PREOCUPAÇÃO" - ANTÓNIO RODRIGUES, GAB. IMP. DO PCP

A sondagem mostra a crescente preocupação social para estas matérias. O PCP tem estado atento a esta tendência, como o provam as sucessivas iniciativas parlamentares nesse sentido como a relativa às uniões de facto. Não me parece significativo o resultado da sondagem no que respeita aos eleitores do PCP.”

Publicado no Correio da Manhã.

Objectivo

  • O objectivo deste blog é recolher toda a informação relativa ao casamento entre pessoas do mesmo sexo que vá sendo publicada nos principais meios de comunicação portugueses. E a informação publicada no estrangeiro sobre Portugal. Além de textos informativos também serão recolhidos textos de opinião positiva ao casamento homossexual. Este blog não tem qualquer finalidade comercial, no entanto se alguma entidade se sentir lesada ou não permitir a utilização de algum conteúdo constante neste sítio comunique-nos, por favor, através do nosso e-mail, que também deve ser usado para nos enviar qualquer sugestão, dúvida ou comentário. Obrigado.
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