terça-feira, junho 22, 2004 

Papa contra uniões "gay" em Espanha

João Paulo II disse, ontem, ao primeiro-ministro espanhol, Jose Luis Zapatero, cujo Governo planeia legalizar o casamento entre homossexuais, que a Espanha deveria conservar os valores éticos e morais, indissociáveis da sua cultura cristã. Os dois homens falaram em privado durante 15 minutos, antes do Papa ter lido um requerimento público a Zapatero, no qual fez duas claras alusões a problemas morais.

O pontífice disse que Espanha tem de "conservar os valores morais e culturais, assim como as suas raízes cristãs".

João Paulo II acrescentou ainda que esperava que o Governo espanhol desse "a atenção devida aos valores éticos que estão tão enraizados na tradição religiosa e cultural da população".

O plano para a legalização dos casamentos homossexuais, que Zapatero anunciou há dois meses criou controvérsia em Espanha, um dos países mais católicos da Europa. Falando aos jornalistas, depois de sair do Vaticano, Zapatero disse que a visita foi muito cordial e amigável.

Publicado no Jornal de Notícias.

sexta-feira, junho 18, 2004 

Marcha do Orgulho Gay contra a discriminação

Mais de duas mil pessoas são esperadas dia 26 na Marcha do Orgulho Gay, a realizar entre o Parque Eduardo VII e o Rossio, em Lisboa, contra todos os tipos de discriminação, anunciou ontem a organização. O direito ao casamento, à adopção e à procriação medicamente assistida para casais do mesmo sexo foram as principais preocupações manifestadas pelas várias associações ligadas à organização da Marcha, numa conferência de imprensa no Centro Comunitário Gay e Lésbica de Lisboa.

Apesar de quererem chamar a atenção do poder legislativo e da sociedade para estas questões, os organizadores afirmam que a marcha está aberta as "todas as pessoas que se preocupem com qualquer tipo de discriminação".

Publicado no Jornal de Notícias.

domingo, junho 06, 2004 

Primeiro casamento gay indigna Governo francês

» contestação Autarca do partido Os Verdes celebrou ontem união polémica Ministros responderam com processo e pedido de anulação


Derrick Ceyrac / reuters - Bertrand Charpentien e Stéphane Chapin casaram-se ontem

Bertrand Charpentien e Stéphane Chapin são o primeiro casal homossexual oficialmente unido em França. E arriscam-se a deixar de o ser muito em breve. Os dois homens, com 31 e 34 anos, trocaram ontem o "sim" e os anéis perante o presidente da Câmara de Bègles (sudoeste do país), que logo recebeu o troco da parte do Governo francês.

Noël Mamère, deputado nacional pelo Partido Os Verdes e defensor dos direitos dos homossexuais, foi prontamente brindado com um "processo" de sanção da parte do ministro do Interior, Dominique de Villepin. Isto escassos minutos depois de os noivos trocarem o beijo da praxe sob o arroz e os aplausos à porta da Câmara de Bègles, perante jornalistas, amigos, defensores do casamento homossexual e manifestantes opositores à ousada iniciativa de Noël Mamère.

O deputado-autarca terá ainda que se haver com o ministro da Justiça, Dominique Perben, que pediu que a anulação do casamento fosse imediatamente apresentada no tribunal de Bordéus. "No âmbito das suas funções de conservador do Registo Civil, o autarca representa o Estado". Mamère "infringiu, portanto, a lei e faltou aos seus deveres de autarca, isto quando o próprio primeiro-ministro o tinha solenemente avisado na Assembleia Nacional", justifica o ministro do Interior. O deputado sujeita-se agora à suspensão durante um mês ou, em alternativa, à revogação que o tornará não elegível durante um ano.

"O Governo quer dramatizar este caso", mas "engana-se", reagiu Mamère. "Não sou um fora-da-lei. Há coisas muito mais graves para a sociedade do que o casamento de dois tipos que se amam. Se quiserem interpor acções, terão de provar que cometi erros. Hoje estou feliz, não tenho qualquer preocupação. Defendo uma causa justa".

O procurador de Bordéus anunciara já a sua oposição ao casamento. No seu entender, o Código Civil não permite unir duas pessoas do mesmo sexo, além de que os nubentes deram uma morada "fictícia", o que retira ao autarca de Bègles qualquer "competência territorial". Um advogado presente na cerimónia adiantou, contudo, que o casamento é válido até que um juiz o declare nulo.

O que dizem as diferentes leis pela Europa fora

Os casais homossexuais são aceites sob diversas formas na Europa. França, Suíça, Alemanha e Croácia reconhecem uniões livres homossexuais, com alguns ou todos os direitos dos casais oficiais, enquanto a Grã-Bretanha tem em discussão um projecto de lei nesse sentido e já permite a adopção. O casamento civil de homossexuais existe na Dinamarca (desde 1989), Noruega (1993), Suécia (1994), Islândia (1996), Holanda (2000), Finlândia (2002) e Bélgica (2003). Espanha, sem legislação, dá liberdade às regiões autónomas.

Publicado no Jornal de Notícias.

Objectivo

  • O objectivo deste blog é recolher toda a informação relativa ao casamento entre pessoas do mesmo sexo que vá sendo publicada nos principais meios de comunicação portugueses. E a informação publicada no estrangeiro sobre Portugal. Além de textos informativos também serão recolhidos textos de opinião positiva ao casamento homossexual. Este blog não tem qualquer finalidade comercial, no entanto se alguma entidade se sentir lesada ou não permitir a utilização de algum conteúdo constante neste sítio comunique-nos, por favor, através do nosso e-mail, que também deve ser usado para nos enviar qualquer sugestão, dúvida ou comentário. Obrigado.
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